O "jeitinho brasileiro" e "brasileiro otário". A elite racista manipuladora

sergiohenriquepereira.jusbrasil.com.br

Caros leitores, hoje, raros momentos, tive o prazer de sentar num banco de praça pública para pegar sol. Algo que já não fazia há muito tempo. Fiquei olhando a localidade, sem maiores concatenamentos. Porém, instantaneamente, hábito profissional, comecei a reparar nas pessoas que estavam na praça, além de mim. Maioria idosos, jogando cartas, outros se exercitando nos aparelhos de ginásticas da Prefeitura. Vi crianças negras brincando, outras procurando nas latas de lixo algo de interessante para elas. A praça possui um lago com chafariz, desativo, e dentro do lago sacos de lixo. Vi uma mulher, negra, pendurando roupas, no banco da praça, para secar.

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Consumismo versus direitos humanos: O caso das castanhas de caju no RN e o trabalho escravo

Artigo disponível em: JusBrasil

Quem não gosta de castanha de caju torrada? Não gosta? Tudo bem, cada qual com seu paladar. Porém, os brasileiros amam comer castanha de caju torrada. Não é difícil encontrá-la, nas ruas, quando alguns adolescentes vendem em sacos de, mais ou menos, 15 kg, e carregam na cabeça, ou em lojas. O quilograma é caro, não é alimento para qualquer cidadão brasileiro, principalmente para os milhões de brasileiros que dependem do Bolsa Família, principalmente no nordeste. Nordeste, a região que mais necessita do Bolsa Família. Certas localidades não apresentam condições mínimas e sobrevivência, mas por questões sentimentais, gerações ali se estabeleceram, ou porque muitos não querem abandonar o que pouco têm. Não é difícil entender o sentimentalismo, qual ser humano não tem? E cada qual merece respeito seja de qual classe social, etnia ou região for.

O trabalho análogo ao escravo não é uma invenção brasileira, muito menos comunista — adoro falar em comunismo, pois tudo que é contra o Estado Liberal é assunto de comunista, principalmente quando o Estado Social é aplicado; aliás, até os direitos civis é ardilosas intenções dos "comunistas". Acho interessante usar a palavra "análogo" quando se fala em trabalho escravo. Bom se trabalho escravo é tão somente trabalhar recebendo chicotadas nas costas, ter o corpo acorrentado, "morar" em locais sem o mínimo de saneamento e comer o resto dos alimentos dos senhores da senzala, então não existe trabalho escravo no mundo. A palavra "análogo", assim penso, foi introduzido para amenizar o efeito perverso que se comete a outro ser humano, pois o século XXI apresenta um dos maiores acontecimentos de escravidão da história humana, em todos os locais deste planeta.

Analisando profundamente os acontecimentos desde a década de 1970, que foi o início do neoliberalismo, a globalização, que é efeito do "neo", consagrou a escravidão humana pelo olhar Alice no País da Maravilhas. O consumismo aumento consideravelmente, as publicidades não invocavam mais o produto e suas qualidades, mas qualidades que completariam o ser humano — "Somos um só!", como diria Spock, de Star Trek. Ou seja, tenha para ser "feliz", "belo", "descolado", "vencedor", "charmosa", "elegante", "diferente". O Brasil foi o primeiro país, deste pequeno e conturbado orbe, a admitir, internacionalmente, que tinha trabalho escravo em solo tupiniquim. Desde a década de 1990, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recebia denúncias de existência de trabalho escravo em vários países, e nada fazia. Por quê? Indolência, ou sabia que o neocolonialismo tinha implantado um novo neocolonização e neoescravidão no planeta? Sabe lá o que se passava na OIT.

A Escravidão Transnacional continua no planeta. A diferença do século XXI para os séculos anteriores, refiro-me aos séculos XIV, XV até o início do século XX, se deve que antes os escravos tinha correntes nos pés. Só isso. Os neoescravos surgiram. O problema não é surgir, o problema é iniciar, ter ciência do fato, e nada ser feito para acabar com isto. O Brasil, apesar de ser um dos primeiros a denunciar o trabalho escravo no próprio território, ainda não seguiu a cartilha de combate, com eficiência [EC nº 19/98]. Crianças, adolescentes e adultos trabalham como escravos no Rio Grande do Norte. O trabalho é torrar e descascar as castanhas de caju. A questão está no ato laboral escravo. As castanhas cruas são depositadas numa latão. São necessários três horas para torrá-las enquanto a pessoa que mexe, com uma vara, ou algo similar, fica respirando a fumaça. O local fica praticamente esfumaçado. Problemas respiratórios são comuns aos trabalhadores. Quando torrados, os cajus precisão ser descascados. Ao descascar, queimaduras nas mãos. As digitais, com o tempo, desaparecem pela substância que é solta durante o descasque. A maioria desses trabalhadores não possuem o fundamental completo. É crime o trabalho infantil, mas acontece. O Estado Brasileiro sabe, e até agora nada vez, de eficiente [EC nº 19/98]. Duas matérias jornalistas já denunciaram o trabalho escravo, e o Estado nada fez.

A situação desumana não acontece somente no Brasil. Transnacionais cometem os mais diversos tipos de trabalhos escravos, afinal os outros seres humanos não importam. Enquanto isso, a economia planetária exige cada vez mais que as pessoas consumam sem parar, para movimentar e alavancar as economias. Zygmunt Bauman, um dos maiores sociólogo do início do século XXI já publicou vários livros sobre os males do consumismo, da globalização. Seus livros, por exemplo, A sociedade individualizada, Capitalismo parasitário e Modernidade Líquida, têm cativado milhões de leitores, principalmente no Brasil. Bauman não está sozinho quando o assunto é criticar o Capitalismo. Paul Krugman, Joseph Stiglitz e Amartya integram o bloco anticapitalismo. No Brasil, um dos mais conceituados doutrinadores do Direito Administrativo, Celso Antônio Bandeira de Mello também não perdeu tempo em criticar o Capitalismo atual.

O Estado Mínimo é cada vez mais exigido, como forma de melhorar a qualidade de vida dos seres humanos. Tal fato seria verdade, se a história humana não delatasse o período pleno do Estado Liberal. Assunto de meio ambiente é lindo nas reuniões internacionais, conquanto à realidade o fato continua o mesmo: estamos entrando em, possível, processo de extinção pelos efeitos climáticos. Afirmar que Produto Interno Bruto é proporcional qualidade de vida aos seres humanos é sofisma. Os países com os maiores PIBs apresentam os maiores índices de desigualdades sociais. Pior, o Estado Islâmico — tive acesso a alguns sites — usam e abusam de notícias dentro dos EUA sobre desigualdades sociais e racismo para transmitir [persuasão] aos jovens que o "Império do Mal" está destruindo o mundo, juntamente com seus aliados. Numa visão profética, diante dos acontecimentos deste início de século, cujas manobras ardilosas de manterem práticas de enriquecimento à custa de violações de direitos humanos, os jihadistas conseguirão atrair mais e mais adeptos para a suas "campanhas salvadoras". No entanto, não exploram questões do Capitalismo em si — até a Rússia aplica o Capitalismo —, mas de resquícios, se assim posso dizer, de ideologias racistas e xenofóbicas que, infelizmente, ainda existem.

REFERÊNCIAS:

Brasil. Trabalho Escravo no Brasil do Século XXI. Disponível em:OIT Brasil

DOMINGO ESPETACULAR. O SOFRIMENTO DOS CASTANHEIROS DO NORDESTE 01/05/16. Disponível em:

G1. Jovens trabalham com fogo para torrar castanhas no Rio Grande do Norte. Edição do dia 09/08/2013. Disponível em: http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2013/08/jovens-trabalham-com-fogo-para-torrar-castanhas-n…

MELLO, Celso Antônio Bandeira. Revista Eletrônica de Direito do Estado. O Neocolonialismo e o Direito Administrativo Brasileiro. Disponível em:http://www.direitodoestado.com/revista/REDE-17-JANEIRO-2009-CELSO%20ANTONIO.pdf

PEREIRA, Sérgio Henrique da Silva. Paul Krugman, Joseph Stiglitz e Amartya. Neoliberalismo é uma praga – JusBrasil. Disponível em:https://sergiohenriquepereira.jusbrasil.com.br/artigos/

WILKINSON, Richard; PICKETT, Kate. O Espírito da Igualdade – Por que razão sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor. Coleção: Sociedade Global. Nº na Coleção: 40. Data 1ª Edição: 20/04/2010. Nº de Edição: 1ª. Editora Presença.

The Spirit Level e Um País Sem Excelências e Mordomias, lições para o Brasil

DISPONÍVELTAMBÉM EM: JUSBRASIL

Alguns de meus artigos têm referências sobre The Spirit Level, de Richard WILKINSON e Kate PICKETT. Sempre houve vários estudos sobre desigualdades sociais e consequências para as sociedades. Até então, não havia um consenso sobre desigualdade social e efeitos no comportamento social, dentre eles: obesidade, corrupção, gravidez precoce, doenças físicas e psíquicas etc. Richard e Kate se debruçaram sobre estas questões, principalmente num mundo globalizado, cujas economias da prosperidade e bem-estar das sociedades se baseiam no aumento do Produto Interno Bruto [PIB]. O neoliberalismo surgido na década de 1970, no Reino Unido, sendo recepcionado nos EUA, na década de 1980, pelo então Presidente Ronald Reagan. Várias mudanças surgiram nas estruturas dos Estados. A ideia central era fazer com que a máquina estatal fosse exigida menos, o que resultaria menores gastos públicos.

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Dirigir com responsabilidade é ter Dia dos Namorados feliz

Trânsito Escola – Aproveitando esta data, que os condutores ou condutoras, de veículos motorizados, não deixem de amar quem está ao seu lado. Quem ama não coloca a própria vida em perigo, muito menos de quem ama. Mesmo os casados há muito tempo, este dia deve ser comemorado com responsabilidade ao volante. Álcool e direção jamais combinam, jamais darão segurança, jamais garante

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Neoliberalismo, absolutismo e direitos humanos. Qual tem mais força no Brasil?

Sérgio Henrique da Silva Pereira

Disponível também em: Jusbrasil | 2016-06-12

O presente artigo disserta sobre o neoliberalismo e suas consequências quantos aos direitos humanos. Além disso, sobre a crise econômica no Brasil.

"God Save the King!"

O neoliberalismo foi lançado, pela primeira vez no orbe, em 1970, à cargo de Margaret Thatcher. O Reino Unido foi o primeiro país europeu, os EUA, na década de 1980, pelo então Presidente norte-americano Ronald Reagan, aplicou a nova teoria econômica. Nos EUA, os direitos sociais foram sendo, gradativamente, diminuídos ao povo norte-americano. Contemporaneamente, tanto os EUA quanto à Inglaterra apresentam desigualdades sociais abissais.

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Entrevista com a fundadora do Grupo de Apoio à Mulher [GRAM], Solange Pires Revorêdo

O artigo é dividido em três partes. A primeira parte consta entrevista com a fundadora do Grupo de Apoio à Mulher, Solange Pires Revorêdo. A segunda parte, minha experiência no grupo WhatsApp. A terceira parte, as minhas considerações.

Primeira parte — entrevista com a fundadora do Grupo de Apoio à Mulher, Solange Pires Revorêdo

GRAM — Grupo de Apoio à Mulher — já consta com quase 1.000 [mil] membros, e não para de aumentar. Fundada em 2010, a comunidade no Facebook tem como propósito ouvir, orientar, interagir, informar, trocar experiências com pessoas e acompanhar cada caso, de violência à mulher. Comunidade oferece participação no WhatsApp — (21) 993599517.

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Por que os brasileiros se comovem com crianças africanas e não com os afrodescendentes brasileiros?

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A ONU lançou, em 2015, A Década Internacional de Afrodescendentes — 2015 a 2024. O documento propõe que todos os Estados-membros se esforcem, em cada âmbito interno, para acabar com os preconceitos e discriminações contra os afrodescendentes. No documento, "A população afrodescendente está entre as comunidades mais pobres e marginalizadas do mundo. Ela apresenta alto índice de mortalidade e mortes maternas, além de acesso limitado a educação de qualidade, serviços de saúde, moradia e seguridade social. Pode se deparar com discriminação no acesso à justiça e enfrenta índices de violência policial e filtragem racial alarmantemente altos". Moradia, acesso à Justiça, o tratamento entre servidores públicos e afrodescendentes, entre outros, são abordados como alertas para a situação dos afrodescendentes, planetariamente.

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